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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

huuuuum!

Naqueles programas de culinária, em que um convidado prova o prato preparado, sempre rola um instante entre o ato de colocar o garfo na boca e o ato de virar pra câmera e dizer "huuuum", né? Aquele instante é algo que me causa uma super agonia!
Eu sempre acho que a comida está horrível e que a pessoa tá fazendo um super esforço em frente às câmeras pra parecer que achou aquele rango uma delícia. 

sexta-feira, 18 de junho de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

... e as palavras sem som

Aqui de longe, onde tudo e nada acontece numa intensidade inexplicável, eu te escrevo agora desse jeito meio boçal pra dizer que não falo mais contigo e falo, mesmo assim, todos os dias. Imagina, tu nem conhece Buenos Aires e já conhece tudo. Já caminhou comigo por essas avenidas largas, por essas praças verdes, por esses lugares cheios de turista querendo ver tudo num dia só. Já pagou 20 pesos por um café só porque era numa esquina charmosa e tinha pessoas com cara blazé lendo aquele jornal gigante que nem tem como segurar. Tá, eu sei, nem a pau tu pagaria 20 pesos por um café, mas aqui a gente não se apega à essas questões mundanas. Já sabe andar no subte de olhos fechados e te arrepia também quando aquele negócio faz uma curva e vem aquele barulho de maquininha de açougue, saca? Eu acho uma graça em te ver irritadíssimo com essa mania que eles tem de buzinar até pra uma pobre mosquinha atravessando fora da faixa, e se perguntando por quê diabos todo garçon aqui tem aqueles mullets no cabelo e parece não escovar os dentes desde a copa de 86. Aí, nesses caminhos é que a gente tem os maiores diálogos, daqueles em que eu despejo mil coisas desconexas e tu resume tudo com uma palavrinha só, daquele teu jeito de me dizer as coisas com a delicadeza de não me fazer pensar que eu sou mesmo é uma louca de atar em poste.

Porque sabe, quando eu vou ali no mercadinho dos chineses que não falam espanhol, nesse caminho eu tenho complexos diálogos contigo. São 19 andares pra baixo e mais 100m pra frente e eu vou tentando te explicar toda essa coisa funda e enigmática que me invade quando eu penso na vida, e ao mesmo tempo aquele estado de graça que me vem de pensar no monte de coisas que se acumula na minha frente, se esgueirando pelos cantinhos e só esperando pra acontecer. E aí eu tento fazer um desenhozinho com os dedos, assim, no ar, pra te mostrar o tamanhico que eu me sinto diante da vida e de todo esse monte de coisas que ela tenta me mostrar todo dia. E como sempre, eu dou um jeito de fazer uma piada, daquele meu jeito torto de fazer piada com o que me machuca. E eu te explico e explico e vou te vendo com aquela cara que tu sempre me olhava quando eu desandava a falar merda, aquela cara de "só tu mesmo, fulana" balançando a cabeça no eixo x e com um risinho no canto da boca, e vou escutando baixinho as coisas absurdas que eu ouviria como resposta. Absurdas de tão simples e por isso mesmo tão certeiras. Eu bem que tento argumentar, te dizer que óbvio que eu tenho razão, porque coitada, eu sempre penso que tenho. E tu dá aquelas três batidinhas na minha cabeça, franze o nariz e diz "tá bom, tá bom". E de novo, eu engulo a tua simplicidade, me rasgo com a tua banalidade. De novo e de novo. E aí vou ficando pequeninha de vergonha, porque na tua resposta imaginada é que eu acho as respostas que fogem de mim.

Aí eu vou na lavanderia de uns outros chineses que também não falam espanhol e no caminho vou te contando os meus planos, todos eles, começando com meu plano de hoje abrir aquele Malbec e me atirar no sofá pra ver aquele filme meia-boca pela trilhonésima vez, mas agora na versão dublada-em-espanhol-la-garatía-soy-djô, e terminando no meu plano mirabolante de largar tudo novo que eu vejo aqui e voltar pro sempre-mais-do-mesmo que me corrói aí em casa. E no caminho eu te ouço me dizer, placidamente, que quem sabe tudo isso é um jeito de o destino me mostrar as coisas que eu tenho que aprender. E fico em silêncio de novo, enterrando a minha enxurrada de palavras diante da meia dúzia de coisas que tu consegue dizer, e que me soam tão verdade que chega a doer.

Aí eu fico assim, te ouvindo na minha cabeça e acreditando mais em mim e nos propósitos obscuros que andam por aqui. Eu tenho muito mais certeza de que não adianta querer saber tudo, não adianta aprofundar tudo, querer viver tudo, querer ser tudo. Que às vezes eu tenho que deixar esse abismo de lado e ser mais poça d'água mesmo. E eu vejo coisas e sorrio, pensando que tu viu também e que daqui a pouco vai fazer um comentário daqueles teus que me fazem rir, depois de ficar uns segundos tentando descobrir se tu tá falando sério ou tirando uma onda com a minha cara.

Agora vem, vamo comigo ali na farmácia, que eu vou finalmente comprar um xarope pra essa tosse que toda noite ajuda a minha velha insônia a não ir embora. Aproveita e não me deixa comprar sem olhar o preço, como eu sempre faço. Vem, que hoje é feriado aqui, a rua tá vazia de argentinos carrancudos e cheia de folhas cor de ferrugem que caem dos plátanos, que já tão querendo ficar pelados pra deixar o sol do inverno bater na nossa moleira. Vem comigo, que no caminho eu vou terminando de te contar sobre aquele negócio que eu fiquei pensando essa madrugada, enquanto olhava do 19º andar as luzinhas acesas dos insones iguais a mim. Vem, que tá tudo tão complicado e meu coração metido a profundo tá precisando engolir um pouco mais da tua simplicidade.

quinta-feira, 20 de maio de 2010



"(...)
Well I heard you had the blues again
It seems like all those little things add up in the end
Well I know that you worry a lot about
Things you can’t control
There are so many things we’d like to have
But we just cannot hold

You’ve got to be kind to yourself (...)"

trecho de Me and You
 (She and Him)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Bad romance

Será que as coisas duram mesmo o tempo que elas deveriam durar, ou a gente prolonga até não poder mais o sofrimento inevitável?

Porque, a cada dia que passa, parece-me cada vez mais óbvia a opção de não se envolver emocionalmente nos relacionamentos do tipo homem/mulher (aliás, nos dias de hoje, devemos colocar do tipo "sexual").

Parece mais óbvio deixar-se pela frieza do sexo, da boa compania e do prazer associado (tipo comida e bebida).Deu. Acabou aí. Nada de choradeiras no meio da noite, nada de DR's, nada de ligações no meio da madrugada "só pra ouvir tua voz", cada um respeitando o espaço do outro, como todos os relacionamento deveriam ser.

Será?! Então, me diz, porque depois de todos esses cuidados extremos, ainda sente-se dor após um rompimento nesse tipo de envolvimento?!

Que levante a mão aquele(a) que nunca foi trocado(a) por um(a) ex!*

*Ou melhor né, que deixe seu comentário aqui, porque se você levantar a mão vai ser meio difícil de perceber!
**deixe se quiser! É meio óbvio isso, mas não custa ressaltar!

domingo, 6 de dezembro de 2009

DROPS Nº 33

Depois de um tempão, voltei a ter TPM. Fico insuportável, chata mesmo. Nem eu me aguento, não tenho paciência pra nada. Dou foras nada delicados em qualquer um que ousar se aproximar de mim - e não entendo por que cargas d'água as criaturas se aproximam de mim justo nesse dia! Na hora eu penso que a pessoa merece mesmo levar um fora grotesco, afinal, não viu que eu estou irritada, pô?! Depois passa e eu me arrependo de ter sido estúpida. Mas aí, já foi. É a vida.

É... nesses dias eu vejo como sou uma idiota. Provavelmente vou acabar solteira. Fazer o quê, né... é a vida.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Terapias do EU


Uma das coisas mais importantes que aprendi na terapia foi: deixar a dúvida vir e deixar ela ir, sem precisar tocar nela.

Pois sim que eu tinha uma urgência em resolver todas as minhas dúvidas e todas as minhas pendências existenciais, como se elas fossem me devorar, me roer todinha até os ossos, caso continuassem a existir.

A angústia com a qual eu mesma me presenteava quase me gerou uma gastrite crônica. Adquiri crises de ansiedade. Me enxergava mais nos outros do que em mim mesma. E culpava os outros por isso.

Perguntas como “quem sou eu?”, “é isso que eu quero?”, “é por esse caminho que eu vou?” me destrambelhavam as idéias. Eu precisava responder essas perguntas a todo custo! Me apavorava com a indefinição das coisas. Me apavorava com a minha indefinição.

Sofri meses assim. E mascarei isso com problemas menores, problemas que eu mesma criava, para esconder e desviar a minha atenção do que eu não queria ver: essa indefinição toda. Que confuso isso.


E aí veio aquela voz, de quem enxerga você por inteiro (ou quase por inteiro) e sem máscaras, e diz: relaxa, mulher. Pra que precisa ter tantas certezas? Segue teu baile. Se não sabe o que fazer com a dúvida, deixa ela ali, quieta. Uma hora ela se resolve ou simplesmente some. Relaxa...


Que coisa mais simples! Que palavras mais comuns! Zero por cento de prolixidade. Cem por cento de absorção. Nada que alguém já não tivesse me dito antes. Mas de alguma maneira, dessa vez, as palavras entraram, compreendidas e aceitas. Elas foram estrategicamente largadas no ponto certo, na hora certa. Bem no alvo. Foi como se alguém abrisse uma janela para arejar com vento fresco um quarto abafado e já sem oxigênio.

Respirei. Enxerguei. Relaxei!


Tô seguindo meu baile, e você aí?







Nas mesas de bar...

........geralmente eu sou a única que não bebe! Quando bebo, é em doses mínimas de algo que gosto ou para experimentar. Agora o que eu queria entender é porque isso é uma aberração tão grande para as pessoas! Veja bem, eu não tenho nenhum problema com os outros bebendo, enchendo a cara, muitas vezes fazendo fiasco e afins por aí. Então porque que sempre que me oferecem algo, eu escuto as clássicas: "tu não beeeeeebe??", com uma cara de espanto, "tu é de alguma religião?" Ahhh não!! Fora que volta e meia aparece um dizendo: "mas hoje tu vai beber!"...."vamo embebedar a Ju eee!"...Hellou! Mas a mais engraçada eu ouvi esses tempos da querida sogra (é querida mesmo!): "pra entrar pra família tu vai ter que beber!" Hahahaha! Enfim, talvez um dia esse povo entenda que não é tão ruim assim acordar no outro dia sem ressaca e tendo gasto 3 reais na noite!! Fora que quando o povo não lembra o que fez, tem que ter um informante pra contar as peripécias das pessoinhas...quanto a mim, eu já sou maluquinha por natureza!

Me deixa pô!


P.S.I: É comprovadamente científico que as pessoas que convivem demais comigo possuem uma redução gradual de álcool no sangue, mas não me perguntem porquê, não tenho nada com isso! :)
P.S.II: Desculpem, tava sem saco de fazer um texto bonitinho com calma!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Síndrome de Romeu e Julieta

Me deparei com uma situação desagradável em um certo relacionamento esses dias. O drama já estava se formando em minha mente, quando me deu um estalo: "opa! você já viveu isso antes, garota, ré-lô-ou!". Ufa! Meu cérebro está funcionando - não preciso começar a me fazer de vítima.

Fiquei pensando no porquê de termos essa tendência à Síndrome de Romeu e Julieta. Por que teimamos em acreditar que um amor é melhor, maior ou mais verdadeiro só por que é difícil? Por que achamos que devemos sofrer só porque gostamos de alguém? Por que cargas d'água gostamos do que é praticamente impossível? E por que, Deus, por queeeee afirmamos que uma paixão é amor, assim, com a maior convicção do mundo, sem nem ter dado tempo de comprovar isso?

Existe algum grupo de pesquisadores que está estudando isso? Alguém tem alguma resposta? Freud explica? Será que estamos contaminadas pelas historinhas dos contos-de-fadas, pelos filmes românticos, pelas novelas mexicanas e pelo diabo-a-quatro? Respostas, por favor, respostas!

Gente, sinto em informá-los que não estamos em um filme de Hollywood. Mas calmem, sonhadoras, isso pode ser uma coisa boa. Isso quer dizer que não somos mocinhas - nem bandidas. Portanto, não precisamos sofrer até o dia em que encontraremos o grande amor da nossa vida, que cessará toda e qualquer dor e que fará com que esqueçamos tudo o que já sofremos.

Eu tenho a teoria de que a vida não precisa ser como o poema. Sabe? Aquele que dizia
"João amava Teresa
que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém. (...)"?

É bem melhor quando as coisas fluem facilmente, as pessoas se entendem, se atraem umas pelas outras, ficam juntas e só. Simples assim. São felizes - é, isso mesmo: elas são felizes sem que precisem passar por empecilhos. Isso existe. Ninguém precisa passar por enormes provas de amor para merecê-lo. E não precisa nem ser para sempre. Quem foi que criou a regra de que cada pessoa tem direito a apenas um amor durante a vida? Eu não fui consultada - se fosse, votaria contra. Acabou? Sacode a poeira e parte para outra.

É claro que não me tornei imune à sofrimentos amorosos e afins. Mas pensar com otimismo ajuda. Ah, como ajuda...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Adolescência Cruel

E eu, lá com os meus 11, 12 anos, me inscrevi pra jogar handball nas olimpíadas escolares, que aconteciam sempre em outubro. Não que eu jogasse maravilhosamente bem. E por isso mesmo me botaram na reserva (ahuhauha). Que droga.

Mas tudo bem.

E, naquela época, eu odiava as minhas orelhas. Odiava mesmo! Pra mim eram as maiores orelhas do mundo, e o único jeito de esconde-las era deixando o cabelo todo solto até a frente do rosto, tipo PRIMO ITT, da família Adams, pra não dar chance de elas, as orelhas, aparecerem.

Então, no dia do jogo, para poder enxergar a bola, eu tive que prender as minhas míseras franjas compridas em uma mecha rala, amarrada com uma borrachinha atrás da cabeça, de maneira que o restante do cabelo continuasse escondendo os meus exemplares de Dumbo.

Lá fui eu. O jogo começou e eu fiquei lá, bem quieta, na reserva. E, àquela altura, eu já nem queria mais jogar, pois a franja não parava de soltar e cair no meu rosto, e eu precisava prende-la de novo, toda hora. Por que eu simplesmente não fiz uma merda de um rabo de cavalo? 

Eis que o apito soa, com uma falta em cima de uma jogadora do meu time. Ela teria que ser substituída, e eu comecei a suar frio. E a rezar. Por favor, não me coloquem, não me coloquem. Por favor!

-PAULA!!! Tu vai entrar!

Me puxaram pelo braço e, quando vi, estava no meio do campo, com o cabelo todo na cara.

Prendi como pude, preservando ao máximo as minhas “orelhinhas”.

Lá vem a bola!! Lá vem! Peguei! Irruuuu!!!

Saí correndo e quicando a bola e nem vi a JAMANTA que vinha contra a minha pessoa. Uma guria desgraçada, que vou chamar aqui de Jamanta (e que pesava o triplo do meu peso e media o dobro da minha altura), me jogou longe no melhor estilo futebol americano misturado com cavaleiros do zodíaco.

Quando eu vi estava no chão, esfolada. Sem bola. E com dor. E pagando orelhinha! Shit!!! A jamanta me tirou a bola e saiu correndo em direção ao gol. E eu fiquei ali, estatelada, com um braço levantado pedindo falta – a qual todo mundo viu, menos o juiz. Claro. É, as manifestações revoltadas da torcida não adiantaram lhufas. O jogo seguiu.

E eu me levantei, toda errada, e fui substituída.

 E essa foi a minha participação no handball olímpico-colegial.

E depois dessa, nunca mais. Virei nerd.



A Jamanta eu vejo por aí até hoje. Ela continua com o triplo do meu peso, porém com a mesma altura de antes. A vida há de ser justa.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Momento Cultural

Sonhos de Lulu também é cultura [2]
Mas, dessa vez, talvez seja um pouco útil (não que a do gato não seja, hehe)...

Tá rolando uma exposição bem legal da história do Brasil na Usina do Gasômetro, no primeiro andar. Começa nos anos vinte e vai até os dias de hoje, com "resumos" de cada década sintetizados com os fatos mais importantes da época. As fotos são bem bacanas e tem até alguns objetos em exposição.
Eu só não sei dizer até quando ela fica.
Pra quem gosta, fica aí a dica...

Eu fui lá e adorei. O problema foi quando eu saí de lá e resolvi sentar na beira do Guaíba, afinal, o dia tava lindo e, mesmo com aquele cheiro desagradável pairando no ar, a vista compensava.
Cinco minutos de paz, e dois caras nada sóbrios conversavam atrás da gente sobre a autonomia do Brasil(???) e o poder da Rússia nos dias de hoje(?????????????????????).
"tuuuuuuuuudo bem. Eu posso aguentar isso também."

Mais cinco minutinhos de relativa paz, e eu vi a cena que estragou meu dia: Uma senhora chega até a beira do lago, com um saco plástico fedendo a lixo orgânico, enquanto um carinha muito misterioso a aguardava mais atrás, segurando sua bolsa.

A minha vontade era da sair correndo e chamar aquela velha de tudo, de enfiar ela na água junto, mas eu estava em choque.

EU NÃO SABIA O QUE FAZER!!

Quando ela saiu, nós levantamos e aplaudimos. Foi o máximo que a gente conseguiu fazer.

Ela riu. Um sorriso mais irônico que os nossos aplausos, porque ela SABE que não vai acontecer nada com ela mesmo. Nem uma punição, nem uma multa. Nadica de nada.

Aí, eu não entendo porque as pessoas ficam tão indignadas comigo quando eu digo que não gosto dessa cidade...

Ou quando discordo de que somos um povo educado e culto e...
bláblábláblá

E não sinto vergonha de admitir isso para as pessoas tão "estadistas" que nos rondam.
A única vergonha que eu sinto até agora é de não ter arrancado a sacola daquela velha e ter jogado na cabeça dela.

domingo, 19 de abril de 2009

Drama Queen

NOTA: Não precisam me dizer: eu sei que escrevo muito mais sobre relacionamento do que que qualquer outra coisa.Acontece que relacionamentos me inspiram, o que vou fazer? Temos lulus que escrevem sobre outras coisas pra balancear o blog!! Tava rolando até assunto de futebol da nossa colega-lulu Paula.


Eu queria escrever sobre hoje. Um dia chuvoso, frio e chato. E, como se não pudesse piorar, é domingo. Tudo bem que tem feriado, mas eu trabalho amanhã igual.

Hoje era pra ser um dia como qualquer outro, no qual eu saio, me divirto e vivo momentos bons. E pra falar a verdade, de um modo geral, ele foi sim. Mas aconteceu algo que deixou ele um pouco triste.E melancólico. E não foi o frio nem a chuva. Algo mínimo, que na vida de algumas pessoas acaba se transformando no centro de tudo.

Eu estava calçando meu tênis. Mas, sem querer, machuquei meu pé. Comooo assim? Vocês se perguntam, mas na verdade isso é apenas um detalhe do que aconteceu depois. O fato é que me machuquei no calcanhar e deu uma sangradinha de nada. Teve aquela dorzinha chata, sabe? Que fica latejando por um tempo.
Gritei se alguém tinha um band aid. Ninguém respondeu. De novo:
-Alguéeem me empresta um band aid?

Silêncio. Fui na sala, estavam todos lá. Me olharam de soslaio, ao mesmo tempo com indiferença e culpa por fingirem não ouvir meus apelos.
Voltei pro quarto. Sem band aid e com um pé sangrando.
Aí, senhoras e senhores, aí eu desabei. Eu chorei o que não chorava em meses, tudo que estava preso, emaranhado nas minhas máscaras de mulher que não se importa mais.
Eu chorava e olhava pra cima. Até que não me aguentei:
-Deus, por favor, faz ele voltar pra mim. Faz ele me amar de novo. Por favor, eu imploro. Ele, que saberia o que fazer numa hora dessas, que beijaria minha testa com carinho e me traria um band aid correndo, que enxugaria as minhas lágrimas, entenderia minha manha, me botaria no colo e me contaria uma história engraçada. Ele que faria eu rir de tudo isso. Que diria que me ama como nunca amou ninguém. Que eu sou a mais linda. Que nunca vai me deixar. Que vamos ter uma casinha com jardim e gatinhos brincando no quintal. Que vamos ter uma filha que vai se chamar Bianca. E que ele quer que a filha tenha o rosto da mãe, e eu vou dizer que só se ela tiver os olhos do pai.
Por favor, eu nunca pedi essas coisas não. Só desta vez.
Meu Deus, eu sinto tanta falta dele. Eu não aguento mais esse joguinho. Faz isso parar, faz voltar tudo de novo, traz ele pra mim como ele era, por favor.Eu preciso tanto dele agora. Eu estou tão frágil, ele saberia o que fazer.

Alguns minutos depois, o choro acabou. Já tinha chorado todas as lágrimas que eu tinha. Calcei o all star com o pé machucado mesmo, vesti o meu melhor sorriso, lavei o rosto, e saí.
Antes, uma paradinha pra se olhar no espelho:
-Ah, essa é a Carol forte que eu conheço!

domingo, 8 de março de 2009

Medo do quê?

Olá para todos. Meu nome, como todo mundo percebeu, é Carol. Gentilmente fui convidada para ser uma Lulu também. E, primeiramente quero dizer que estou muito honrada e agradecida pelo convite!!

Bom, mas para estrear minha primeira postagem, eu queria falar sobre o medo.

É sentimento típico do ser humano, se é que podemos dizer que é um sentimento, uma vez que muitos seres vivos possuem mecanismos de defesa que podemos dizer que são manifestações de medo e, bem, deixa pra lá que isso é outra história!

Um dia desses, naquelas rodas de amigos e amigos dos amigos e pessoas que a gente nem sabe de onde surgiram, alguém comentou: eu não tenho medo de nada. Simplesmente, não sinto medo.

Quê???? Ôpa? Helouu?

Não creio. Não mesmo. Todo mundo, eu disse TODO mundo, tem medo de alguma coisa. O que é diferente é DO QUE se tem medo. Mas ele sempre está ali. Na espreita. Os batimentos cardíacos aumentam, as mãos ficam frias e suadas, as pupilas dobram de tamanho. Pura química.

Pode ser de barata, ginecologista, altura, agulha,aranha, moto, bicicleta,dentista, leão, mulher, homem, amor, criança, espírito, ET, macumba, ladrão, pai, mãe, doença, morte, sangue, monstros, filmes de terror, se paixonar e mais um montão de coisas!!

Não importa o que for, todo mundo o sente. E, às vezes a gente até tem vergonha de confessá-los, pois pode parecer ridículo para os outros. Mas pra nós não é, pelo contrário, é assustador. E por isso a gente sempre foge do que tem medo. É uma reação instintiva, afinal, não é à toa que tomamos uma descarga de adrenalina: ficamos preparados para a fuga.

Sim, isso mesmo. Adrenalina pura. Quando recebemos uma descarga desse hormônio no nosso organismo, preparamos o nosso corpo para reação de luta ou fuga: ou matar ou fugir. Lembram disso, das aulas de biologia? Pois é. Enquanto nossos ancestrais utilizavam esse mecanismo de defesa para fugir dos leões ou matar um outro bicho pra comer, nós "herdamos" isso para "fugir" da aranha sinistra do banheiro, ou da cobertura do vigésimo andar que aquela nossa amiga se mudou semana passada e insiste pra gente ir lá "olhar a vista".

Ou seja, não tem como "não ter medo de nada". É algo tão natural como fazer cocô, por exemplo.

Tem pessoas que tem mais medo do que outras. Ou melhor, tem pessoas que administram melhor seus medos. E tem outras que tem medo de poucas coisas, enquanto outras tem medo até da sua própria sombra.

Eu confesso que tenho medo de bastante coisa. Algumas estão ali na lista que eu citei. E outras não vou me lembrar de escrever aqui. Quando elas surgem, eu lembro que tenho medo delas.

Eu confesso também que sou bastante medrosa e que pra mim é bem difícil lidar com meus medos. Mas, acredito que venho melhorando com o tempo e que não tem muito mais do que fazer a não ser aprender a administrá-los, afinal, não deixa de ser um mecanismo de defesa.

E você, tem medo do que?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Sobre Compras e Aves

Acho que sou uma alienígena. Claro, só pode ser! Enquanto todas as mulheres do recinto reviram a loja de pernas pro ar, cheia de roupas nos braços, loucas para irem ao provador, eu estou aqui, sentada, lendo um livro cujo o nome é 15000 Aves do Brasil. Vocês sabiam que existem várias expécies de Bem-te-vi? Nem eu. Estou sabendo agora.
Não. Não é que eu seja uma pessoa super interessada em AVES.

O negócio é o seguinte: eu estou no shopping, com a minha mãe, há nada mais nada menos do que 4 horas. Desculpem as meninas que ADOOOORAM, mas é de mais pra mim. 
Às vezes eu acho que sou meio homem nesse sentido. Eu vou direto nas lojas que me interessam. Olho rápido. Se algo me interessa, experimento (essa parte eu confesso que demoro um pouco). Se ficar bom, levo. Sei lá, meio simples assim. Mas a minha mãe, gente, a minha mãe entra em (quase) TODAS as lojas. Haja perna. Haja paciência. No final, eu já estou com cara de cu, com algumas sacolas penduradas no braço e um cansaço que, nem se eu corresse até o Lami e voltasse, chegaria perto do que eu sinto agora. Cansaço físico oriundo de shopping, pra mim, é o pior.
Por isso eu estou aqui, sentada nessa poltrona super confortável dessa loja imensa, agora lendo sobre beija-flores... hum... existem mais de 300 espécies de beija-flor. Vocês sabiam?

sábado, 15 de novembro de 2008

Momento Meu-Querido-Diário

Ontem eu resolvi me namorar. É. Isso mesmo, quê que tem? Beauty session: pé, mão, cabelo e otras cositas más. Me comprei flores: lírios perfumadíssimos que deixaram o meu lindo apê assim também, perfumadíssimo. E também comprei algumas long-necks de cerveja e alguns petiscos. O que foi muito importante, como verão a seguir. Ou não.

Pois bem.
Estava eu num momento de paz comigo mesma, me sentindo (vejam só!) independente, feliz, completa, linda, quando, de repente, não mais que de repente... ele aparece. Até aí tudo ótimo. "Oi baby! Tô muito feliz hoje, a minha casa tá perfumada, comprei flores! Não é o máximo?!?" Papo vai, papo vem, "Ju, preciso falar contigo". Iiiiiiiihhhh... senti! Estava tudo indo muito bem para ser verdade. E, como na minha vida nada vai muito bem por muito tempo, recebi a bomba: ele voltou com a ex. E nem precisou dizer - eu mesma, com a minha intuição que nunca falha, adivinhei:
"- Iiiiihhh... Voltou com a ex, Fulano?"
"- Humrum."

Sensação horrível. Mas eu mantenho a calma e a compostura que Deus me deu. "Tudo bem, honey... a gente não manda no coração. Se tu é apaixonado por ela, isso é o melhor pra ti."
Aí me vem outra bomba: "mas eu não sou apaixonado por ela".

Fico digerindo as palavras na minha mente:

Eu não sou apaixonado por ela.
Eu NÃO sou apaixonado por ela.
EU NÃO SOU APAIXONADO POR ELA.

Se não é apaixonado por ela, por que voltou, então, porra??? (sorry, o momento pede um palavrão)
Obviamente, há algo de podre no reino da Dinamarca. Claro que é apaixonado por ela. Por que, cargas d'água, voltaria se não fosse??? Ainda mais com o agravante de ser a primeira namorada. Faça-me o favor! Claro que é apaixonado por ela... não sou TÃO idiota assim. Voltar com a primeira namorada não pode ser só tesão reprimido. Ou pode. Ou pode ser outra coisa também, quem sou eu para julgar?

Ó. Fiz de novo. "Quem sou eu para julgar?" Nhé-nhé-nhém!!! Chega de nhé-nhé-nhém!!! Como, quem sou eu??? Eu sou a pessoa por quem, até uma semana atrás, ele dizia ser apaixonado!!! Dizia "eu te amo, não esquece". Eu não esqueci, meu bem, já o moço que proferiu a frase... parece que esqueceu. Tenho todo o direito de estar furiosa. Mas nãããããão!!! Claro que eu não fiz isso! Não fiz porque, sabe-se lá o motivo, eu não me permito sentir estas coisas no momento certo! Ou, talvez, em nenhum momento.

Permitindo ou não, sentindo ou não, o fato é que eu NÃO CONSEGUI sentir raiva. Nem nada parecido, na verdade. Só tristeza. Só consegui chorar e compreender. Sim, senhoras e senhores, eu compreendi. Sei lá por quê, mas compreendi. Fiquei lá chorando e ainda sentindo e dizendo as coisas mais bonitas que já se passaram no meu coração. Pode ser que eu tenha uma alma e uma mente muito evoluídas, não duvido de mais nada. Acontece que eu me senti triste. Só isso. Não com raiva, não com mágoa, não com rancor, não com nada. Só triste. O único momento de fúria foi agora, nos parágrafos acima. E já passou. Será o efeito das long-necks me anestesiando? Acho que não...

Mas isso foi ontem. Ainda não sei como vou me sentir amanhã.