Como é de praxe, de tempos em tempos rola uma super discussão no facebook sobre um assunto da atualidade. Já se discutiu sobre o Lula e o SUS, Geisy Arruda e o vestidinho rosa e, vamos lá, Michel Teló e a fama internacional.
A bola da vez é o artigo do J.J. Camargo, publicado hoje no caderno Vida, da Zero Hora, sobre tatuagens. Vi o artigo pela manhã, na casa dos meus pais. Li e achei meio xarope o que o cara disse. Não concordei muito, achei meio coisa de véio cabeçudo, sabe como? Mas foi isso. Não me senti mal só porque o cara pensa que os tatuados são fracos da cabeça. Tá, mentira. Até fiz um beicinho de “ai, essa doeu”, mas logo me dei conta de que, ora bolas, eu me gosto muito com minhas tatuagens, amo todas elas e, além disso, aquele texto não era sobre mim. Era só uma opinião generalizada, meio infeliz, de um senhor quadradão. E deu. Logo esqueci do assunto e fui, tipo assim, seguir a minha vida.
Só que depois do almoço, resolvi acessar o Facebook e me deparei com uma enxurrada de críticas inflamadas! Gente de todo lado querendo o fígado do colunista por causa do tal artigo; querendo a sua expulsão da ZH. E uns tipos que queriam que o cara fosse preso e julgado por espalhar o preconceito. Ahahahaha (ops, desculpa, não deu pra segurar).
E aí eu fiz uma coisa que eu evito a todo custo, sempre, sempre, eu juro que evito, mas fiz: entrei numa discussão. Discussão no Facebook. Sim. Lá fui eu, com toda a minha educação que papai e mamãe me deram, e, pra começar, disse assim, toda meiga: Ah, deixa o véio. Foi meio preconceituoso mesmo, mas é a opinião dele. Um artigo de opinião. Bem, assim, sem argumentar muito, porque né? ... MEDO.
Bastou para que os tatuados politicamente corretos (sim, eles existem! descobri hoje) arrancarem os cabelos e bradarem aos quatro ventos o quanto isso é absurdo. E o quanto eu não sei a diferença entre preconceito e liberdade de expressão, porque né, eu devo ser muito ignorante. E que o autor deveria ser severamente punido. Resumindo: depois da minha primeira declaração, postei sobre minha opinião mais duas vezes no fórum e depois desisti. Ninguém mais conversa, nem ouve, nem lê. Hoje todos só querem ter razão.
Mas para vocês terem noção: teve gente que ficou tão ofendida com o artigo, que cogita processar a ZH e o autor; teve gente que argumentou que é por isso que o Brasil não vai pra frente (é sério); que os formadores de opinião não podem, em hipótese alguma, se valer de termos ofensivos ou descorteses.
Pois eu, que sou um pouco tatuadinha e que não concordo com o que o colunista disse; eu, aqui do canto da minha humilde casa virtual, que é meu blog, com 5 anos online e com meia dúzia de leitores assíduos, vos digo: isso seria CENSURA das mais deslavadas.
Se chegar o dia em que alguém só puder escrever um texto com a premissa de que ele agrade a gregos e troianos, eu paro de ler. Porque não tem nada mais sem graça do que ler algo e nem poder dizer que discorda ou concorda, simples assim, pois o texto que não fede nem cheira. Nem dá vontade de comentar.
Afinal, qual a graça na unanimidade?
Se o cara foi lá e disse que acha repulsivo um corpo coberto de tatuagens ou que acha que pessoas tatuadas tem auto estima baixa, ele merece ser censurado por isso? Na minha opinião, não! Ele sabia onde estava pisando e escreveu para ser polêmico mesmo. Pra gente como eu e como todo mundo que leu discordar, ou concordar, e se manifestar – ou não também. Isso que é demais!
Mas não, os policamente corretos dizem que, por ser um formador de opinião, o cara deveria ter um filtro, para evitar disseminar um preconceito. Pois aí eu discordo. E nem me venham falar de negros, mulheres, homossexuais, etc. A esfera é outra.
Nesse caso, quando temos a oportunidade de contato com esse tipo de texto, podemos treinar o nosso discernimento. Ou vai dizer que tu leu o texto e, automaticamente, já saiu achando que tatuado é um Maria Vai Com As Outras Depressivo? E se a resposta for sim, o problema não é o artigo. O problema é mais embaixo!
Não podemos eliminar o que não gostamos de ouvir ou ler. Precisamos lidar com isso, lidar com pensamentos diferentes dos nossos (às vezes mais limitados e ignorantes do que os nossos, por que não?) ler mais, ler de tudo, para aumentar nosso poder de argumentação. Ler o texto do cara e ficar puto sim e, com isso, com essa raiva, ter energia, ter tesão para defender o teu ponto de vista. Isso que é legal. E não sair atrás de advogado cada vez que alguém cruza a linha do politicamente correto. Vamos lá, pessoal.
E dizer que o País não vai pra frente por causa desse tipo de texto, pra mim, é forçar de mais a barra.