terça-feira, 20 de maio de 2008

Um Desabafo:

Minha história com o trânsito é relativamente recente. Dirijo há sete anos, quase todos os dias, pelas ruas de Porto Alegre e também, de vez em quando, por algumas estradas do estado.
E eu confesso: no início da minha vida de motorista eu adorava dirigir. Tinha aquela sensação de liberdade, de “eu posso ir aonde quiser”, de independência. Que maravilha!
Bom, há sete anos atrás, a hora do rush era bem definida: começava as 18hs e às 19hs o trânsito voltava ao normal. Em 2002, a quantidade de carros na rua era até que grande, mas compatível com a maioria da malha viária da cidade. A tranqueira era na hora do rush e FIM! Pô, normal né.. E isso não significa que não tinha stress no trânsito. Claro que tinha. A galera se xingando, um achando que tem razão e o outro também, um “vai te fuder” pra cá, um “toma no cu” pra lá. Essas coisas.
Tinha até uma época que eu achava que poderia “educar” os motoristas, baixando o vidro e falando alguma coisa do tipo: “minha senhora, a senhora não pode parar aqui, é proibido e tu tá trancando todo o trânsito.” ou “meu deus, criatura! não atravessa no sinal fechado pra ti!”. Frases até muito educadas quando se trata do ambiente “trânsito”.
Outra solução que acabei adotando mais tarde foi o “deixa pra lá”. Tinha concluído que não adiantava discutir no trânsito, onde todo mundo acha que tem razão... inclusive eu mesma. hehe
Pois então. O tempo passou.
De uns tempos pra cá, o número de carros nas ruas, triplicou, quadruplicou, setuplicou... sei lá aumentou na potência de mil!!!! Claro que é exagero, mas é a impressão que eu tenho. E junto com esse aumento também veio o aumento da falta de educação dos motoristas e a diminuição da paciência.


A hora do rush é entre as 7hs da manhã e 9 da noite, com picos insuportáveis entre 6 e 7 da noite.
Hoje algumas pessoas fazem o que querem no trânsito! É VERDADE!
Hoje a galera acha que basta ligar o pisca-alerta para poder ficar parado numa avenida movimentadíssima para largar o seu filho bem na porta do colégio ou pra esperar a sogra voltar do banco. Quem vem atrás que espere ou que tente desviar .
A galera esquece de ligar o pisca-pisca para alertar quando pretende dobrar. As pessoas simplesmente reduzem a velocidade do nada, e dobram. E o bundão que vem atrás que se ligue!
Os motoqueiros acham que são autoridades! Os motoristas também. Os motoristas de ônibus idem. Os de caminhão nem te enxergam.
E as discussões vão além dos xingamentos. Manda um motorista que tem um parafuso a menos – mas obviamente tu ainda não sabe desse detalhe – tomar no cu e o cara desce do carro apontando uma espingarda na tua cara. Sorte tua se ele não disparar.

Mas o que eu vou fazer? Hoje eu não consigo mais adotar aquela ideologia do “deixa pra lá”... porque simplesmente é impossível pra mim. Admiro quem deixa pra lá... mas ao mesmo tempo, acho essas pessoas sem atitude. COMO ASSIM?! O cara costura todo o trânsito, a mil por hora, em cima da sua moto, sem que eu consiga acompanhar essa história toda pelo retrovisor, corta a minha frente fazendo com que eu quase atinja a moto e, ao buzinar em reclamação, eu sou xingada?! Ah Não! Já é demais! Eu mando é tomar no cu!!! Senta na piroca, ô filha da puta!!! Acha que a rua é tua?! Vaza da minha frente!!!!
Sim, aí eu sou a louca! (eu deveria “deixar pra lá!, concordo)
Mas aí aquela raiva toda, aquela que muitos motoristas hoje tem acumulada pelas horas diárias de trânsito, explode dentro de mim. AAAAAAAAAARGHHH!!!
E o motoqueiro é daqueles que encara pra te intimidar!!!!!! RÁ RÁ RÁ!!!!!!!!
A mim, não seu fulano! Desgraçado!!!Acha que é quem? Ó pra ti: __ (dedo do meio em riste)
Pronto: o motoqueiro, obviamente um daqueles com parafuso a menos, tira proveito da sua condição de motoqueiro, e passa a chutar a lataria do meu carro, no meio da avenida, aos berros de “vagabunda” pra baixo. E eu, na minha 'santa' mania de querer responder um nível a cima, baixo o vidro e digo: “ESCUTA AQUI, Ô. TU COSTURA TODO O TRÂNSITO, A MILHÃO, FECHA O MEU CARRO E ACHA QUE TÁ COM A RAZÃO? NINGUÉM É OBRIGADO A TE ENXERGAR PELO TRÂNSITO DESSE JEITO!!” E pronto. Foi a gota d’água pro maluco dar um coice no espelho retrovisor e esbravejar no meio da rua, urrando loucamente como um gorila maluco.
Eu sei, eu sei. Maluca sou eu de me meter. Maluca sou eu de xingar o cara, “só” porque ele é mais um barbeiro solto na rua, a correr por aí com a sua moto. Vrrrruuum.
Sim.
Eu finalmente desisti.
Eu odeio dirigir. E o motivo não é o maluco, que surtou e agrediu meu patrimônio, meu carrinho, que é pequeninho, mas é meu. Não é o cara que tranca todo o trânsito apenas em benefício próprio, “ vou ali tirar dinheiro e já volto”. Não são os idiotas que acham que tem prioridade na estrada, e botam seus carros a correr pelos acostamentos, enquanto os “bundões” (ou cidadãos honestos, como queiram) continuam a esperar, na sua pista, o trânsito andar.
O motivo pelo qual eu odeio dirigir sou eu mesma. Eu virei um deles. Sim, porque no trânsito tu tem que ser muito, muito forte psicologicamente... e seguir friamente a ideologia do “deixa pra lá”. Ou tu entra na guerra.
E quando eu me vi, eu já estava fazendo coisas como colocar a mão pra fora do carro, fazendo um gesto obsceno para um motorista que me ultrapassou pela direita. Ou odiando pedestres que atravessam fora da faixa de segurança, me atravancando o caminho. E quando eu reduzo pra não atropelar esses pedestres, o carro que vem atrás já solta um super buzinaço no meu ouvido (e no de todos que estão em volta), como se o que eu estivesse fazendo fosse algo sem cabimento. PASSA POR CIMA ENTÃO! PORRA!


Sempre quando dá, dou uma de justiceira, estreitando o acostamento pra que nenhum babaca, achando que teve a "grande idéia do malandro", utilize o acostamento quando o trânsito está devagar pra todo mundo. Por que ele tem que ser o diferente? Por que ele vai passar, enquanto todo mundo está esperando, pacientemente ou não??? Vai se fuder!


E, às vezes, pra não gritar pela janela cada vez que alguém faz alguma merda, eu mesma me pego esbravejando dentro do carro, dizendo mil palavrões para dar um escape ao stress.


E obviamente faço merda no trânsito de vez enquando. E eu admito. Porque uma criatura estressada e enlouquecida, às vezes perde a noção. Mas sei que isso não justifica o erro.
Então o trânsito acaba sendo um lugar onde eu definitivamente não quero estar. Ando mais rápido pra chegar ao meu destino logo, e os “lentos” que andam nos corretos 60km/h, acabam sendo os malas do trânsito.
O meu sonho é que eu consiga ir a pé ou de bicicleta ao meu trabalho.


O trânsito de hoje me exige muito mais tempo do que eu quero dar.

Nesse meu texto, eu generalizei em diversos pontos. Eu sei que nem todos os motoristas são assim (seja de caminhão, ônibus ou motociclistas).
E também concordo que ele pareça pessimista.
Mas quem anda no trânsito todo dia sabe do que estou falando.

Enfim... depois desse desabafo, eu desejo boa sorte pra nós.


3 comentários:

Anônimo disse...

É isso aí! CACETE!

NonSense disse...

Muito bem, isso vai estourar daqui a pouquinho!!

Anônimo disse...

A Lulu é mó gata, bravinha então...