domingo, 2 de agosto de 2009

O Baile E A Bunda

Festa de formatura dos meus amigos. Ocasião especialíssima. Eu tinha que estar apresentável. Assim, sabe... bonitinha. Tá bom, admito... linda, mesmo. Ao menos, o mais próximo disso possível.

Daí começa: 400 pilas num vestido novo, 50 num par de brincos, 200 num par de sapatos peep-toe vermelhos, com salto de 10 cm, lindíssimo. Compro lingerie, meia calça... porque isso também é importante - as meninas me entendem: a gente tem que "se sentir" pra tudo ter efeito, mesmo que essas coisas não apareçam. Coloca aí mais uns 50 reais da maquiagem no salão (que depois de pronta a gente pensa "... mas a que eu faço em casa fica melhor..."), 60 do cabelo e 15 da manicure. Fora depilação, esfoliação, limpeza de pele e blablabla que tem que estar sempre em dia. Fez as contas? Então não me diz o resultado, porque eu nem vou fazer. Quero manter minha sanidade mental.

Chega o baile. Estou lá, rodeada por meus amigos queridos e amadas amigas, feliz pela conquista deles. Sou apresentada a alguns amigos-dos-amigos. Ôquei. Sempre tem uns ou outros desses que acabam ficando na volta - sabe como é... é sábado à noite, eles querem se dar bem e apresentaram uma amiga solteira: inevitável. Não estou interessada, então sou simpática E SÓ. Não vou ficar me achando a mais gostosa e mandar sair de perto. Menos, né, gente... bem menos... não é pra tanto - sou bem grandinha e também não sou nenhuma maravilha.

Então tá. Segue o baile e eu danço a noite toda. E é aí aonde eu queria chegar. Estou dançando com um amigo meu, bem feliz, fazendo aquelas dancinhas ridículas que a gente adora e se mata de rir. Começa um desses funks. A gente não conhecia, mas fica dançando mesmo assim - sabe aquela coisa de pegar na mão e rodopiar um ao outro? Bem isso - nada de dança de popozuda, e chão chão chão. Até que chega uma hora na incrivelmente culta letra da tal música em que a moça canta algo como "se um tapinha não dói, eu falo pra você, segura esse chifre, quero ver se vai doer" - nesse momento, enquanto rio da frase erudita que acabo de ouvir, sinto aquela coisa que demoro uns segundos pra acreditar que era aquilo mesmo. E era, caros leitores: UM TAPA NA MINHA BUNDA! Minha reação automática foi dar um grito e olhar pra trás, na esperança de que fosse uma amiga minha. Não era. Sério, gente... levei um tapa na bunda de um dos amigos-dos-amigos que eu tinha acabado de conhecer. Fiquei tão chocada que não consegui nem revidar com um tapa na cara e fazer o maior barraco da festa. Ao invés disso, só dei meu gritinho assustado, olhei pra trás e exclamei um mazoquequéisso???, ao que ouço um "mas um tapinha não dói". Mandei um olhar de "seu idiota", saí dali e fui pro outro lado da festa. Sério... aonde isso vai parar??? Eu de vestido soltinho e na altura do joelho tenho que passar por isso - se fosse no verão e eu tivesse de shortinho ia ser o quê???

O que aconteceu com o simples "posso te pagar uma bebida?"?? A abordagem passou a ser mais, digamos, direta e não me avisaram?

Francamente... Fiz aquela mega produção pra levar um tapa na bunda de um semi-desconhecido? Ainda se fosse de um Príncipe Encantado meio saidinho, vá lá, tudo bem...

Esse mundo tá perdido, mesmo.

16 comentários:

Ju disse...

Ih, o "posso te pagar uma bebida"ta out faz um tempo!
PErdi as contas de vezes q tive que me esquivar de beliscõezinhos na barriga (!!!!) de seres totalmente desconhecidos! unf!

Carolzinha disse...

PQP! Totalmente desnecessário! Tô chocada! Onde esse mundo vai parar mesmo?

Paula disse...

O "posso te pagar uma bebida?" eu acho simpático, além de não ser agressivo. Acho até q é uma abordagem bastante sexy (por ser direta e sem cantadas idiotas).

Tapa na bunda é de última. Esse cara já devia estar cheio da cachaça ou é sem noção mesmo. Por favor!
O tapa na cara seria merecido... além do que, por ser uma cena bastante clássica, teria grande aceitação do público local! Eu aplaudiria a Julia! hahahaha

Carol disse...

Que esta cada vez pior sair nas festas, porque os caras não respeitam nem o teu corpo mais, isso a gente já sabia (e que eles revidam, dizendo que as mulheres estão usando roupas cada vez mais curtas, também, como se tivéssemos que pagar pelas criaturas vulgares que circulam por aí)
Mas, ir numa formatura de um(a) amigo(a) e ter que passar por isso?
Ah, não, aí já é demais!

Deni! disse...

Nem tem o que comentar, tô ultrajada! Tenho uma amiga que namora um homem 30 anos mais velho - nesse caso, é bom enfatizar: HO-MEM - e diz que nunca mais vai conseguir namorar "moleque". Porque a gente é moderninha, bonitinha e bem-resolvidinha, mas quem não gosta de flores, portas abertas, palavras sutis e tratamento de princesa? Eu gosto!

Fora que tem outra coisa que eu sempre pensei, mas é única e exclusiva questão de gosto: a gente se arruma na maior elegância pra esses bailes, pra chegar lá e rebolar até o chão?? Acho meio discrepante!! hehehehe

Deni! disse...

p.s.: "rebolar até o chão" não é comportamento obrigatório, é só uma alusão à ter que ouvir funk! Que fiquei claro!! hehehe

CADU disse...

Na verdade, eu tenho uma espécie de teoria sobre isso. Acho que qdo o camarada faz uma coisa dessas, ele está com a intenção "chalaça, avacalhação, essas coisas" e não com a intenção da "sedução". Isso parece óbvio e tal, mas sei lá, eh bom frisar. ...hmmm... Tá, lógico que nos áureos tempos de festança e tudo o mais, eu já fiz coisas como aplicar cantadas canhestras e coisinhas do gênero. Nunca cheguei ao ponto de dar tapa em bundas alheias. Mas qdo fazíamos isso acabávamos nos mijando de rir e era nesse "espírito de porco de festa" que vez ou outra praticávamos em festas. Não sempre, lógico, pois as vezes queríamos realmente seduzir ou ser seduzido.
Não que esteja corroborando com a atitude do colega, mas acho q ele estava imbuido do "espírito de porco de festa".

Paula disse...

Eu acho que a Julia tinha que ter entrado no espírito do porco de festa e ter dado o tapa cinematográfico na cara do fulano, seguido de uma frase de efeito, do tipo: SEU CANALHA!
hahahah

Deni! disse...

Sim, espírito de porco de festa (porque porco tá suuuper in, meu bem) não é exclusividade masculina, não. Já vi muita menininha cometendo absurdos parecidos. Mas isso é um fenômeno que a gente só vê quando tem um grupinho (embuído do mesmo espírito) ao redor, não acham? Me parece coisa de auto afirmação, ou sei lá...

Julia disse...

Gente... o que chocou mais foi o fato de que o cara deu em cima de mim a noite toda - e culminou com isso. Ou seja: ele achava o quê? Que eu ia me virar, dar um beijo daqueles e dizer algo como "me possua! aqui! agora!"???

Também acho que acabamos pagando pelas mulheres vulgares que andam pela noite e que não se importam de ser retratadas como objetos - vide as mulhers frutas que andam por aí orgulhosas de seus papéis. Mas a questão é: meeeesmo que eu estivesse com um vestido justo e curtíssimo, esse ato não teria justificativa. Como disse a Carol, nem nosso corpo eles respeitam mais. Teremos que andar de burca pra não sermos alvo desse tipo de coisa? Valorizar o próprio corpo é um convite pra esse tipo de abordagem?

Jesus me empalha, que morri!!!

(Praticamente outro post. Mas ok.)

Julia disse...

Ah, sim, e o "posso te pagar uma bebida" eu acho bem simpático, estimula um diálogo decente hehehe

e, sim, tinha que ter seguido o conselho da Paula, a cena seria ótima! =)

Ivy disse...

eu tacava um tapa na cara
e tenho dito.

a sensaçao é ótima e o cara fica com bastante vergonha de apanhar de mulherzinha.

campanha tapa na cara JÁ

Julia disse...

Aaaaiii, olha a Ivy se manifestandooo!!!
AMOOOOO!
Bem vinda, amiguinha-arquiteta!!!

Paula disse...

eeeee

Paula disse...

A Ivy disse que "a sensação é ótima"! Então ela já tacou um tapa na cara de alguém! Conta, conta, conta!

Ju disse...

Desepeja aee Ivyyy!!