domingo, 12 de abril de 2009

Sobre a minha Páscoa

O número de moradores de rua aumentou consideravelmente no meu bairro, de uns tempos para cá. Moro num bairro nobre, logo, isso não me agrada. Mas pense: se tirarmos eles daqui, o problema vai terminar? Não, né? Só vai mudar de lugar. Enfim, isso é só para reflexão. Não vou desenvolver o assunto: ele serve só para introduzir o relato a seguir.

Estava andando até a padaria quando um rapaz de rua me abordou. Educadamente, até. "Oi moça. Será que tu tem alguma moedinha pra eu comprar um pão?" Como eu nunca dou esmolas, disse "dinheiro eu não dou, mas se tu quiser eu compro um pão pra ti." Ele aceitou e eu pedi que esperasse ali.

Eu estou mais generosa do que de costume, talvez por hoje ser Páscoa. Fui até a tal padaria e pedi para a moça do balcão fazer dois sanduíches para eu levar - porque pensei que não deve ser muito legal comer pão seco. Passei nas prateleiras e já incluí um litro de leite e um pacote de biscoitos recheados - um mimo de Páscoa, pensei. Montei uma sacolinha com essas coisas, separada da minha.

Ao voltar e entregar a sacola para o tal rapaz, ele abriu um sorrisão e exclamou: "Nooooossa, moça! Muito Obrigado! Nossa, nossa... Muito obrigado mesmo!"
Quando ele abriu a sacola e viu que tinham mais coisas ali, começou a agradecer muito e muito alto, todo mundo ouvia: "Nossa, moça! Muito obrigado mesmo! Nooooooooooooooossa!" Enquanto ria muito de felicidade e atravessava a rua. Quanto ele abriu o pacote, e viu que ali tinham sanduíches, eu pude ouvir ele gritando do outro lado da rua "Meu Deeeeeeuuuus! Urrúúú!!!" - enquanto me acenava e fazia sinal de positivo, e sorria, e gargalhava.

(Pensei em como ele deve ter recebido poucos presentes na vida. Ou nenhum.)

É claro que isso não vai diminuir o problema dos moradores de rua do meu bairro. Pelo contrário, pode ser que agrave. Mas eu fiz alguém feliz nesta Páscoa. E me senti bem com isso.

8 comentários:

Carol disse...

Faz muito bem pra gente fazer boas ações.
É o espírito pascalino ;)

Ju disse...

Legal isso, Ju! muito bom!
É ótima a sensação de fazer bem a alguém, ainda mais quando a pessoa valoriza isso! :)

Rafa disse...

Essas coisas não tem preço. Eu até ajudo algumas pessoas às vezes, mas sei que muitos são “malandros”, provavelmente vendem as roupas que eu dou, gastam em drogas etc... Às vezes dou umas moedinhas, 1 ou 2 reais pras crianças também, mas vai saber se é pra cachaça do pai ou não.

Experienciar esse tipo de reação do garoto que tu descreveu é uma sensação quase inenarrável. E de vez em quando eu me pego pensando em picuinhas tão pequenas, mesmo tendo “tudo”. Ótimo post, Julia!

Lucas disse...

Choco!

Paula disse...

Já aconteceu comigo também! É um tanto emocionante.

guada disse...

muito legal, ju!! se cada um fizer a sua parte, nosso mundinho pode ser muuuuito melhor!
solidariedade: passe a diante!
[lembram dessa propaganda?]

CADU disse...

Que beleza, hein Julia!! Eu te admiro, porque preciso confessar que minha paciência têm diminuído consideravelmente. Feio admitir isso, mas é fato. Acho que aliás, que a quantidade de ideologia reacionária tem aumentado consideravelmente em meu corpo, alma e coração. Sera que um dia eu me filio no PP, ainda? Eu, de tendências outrosa tão esquerdistas, estou entrando nessa onda de ser destro. Não sei se o fato de ter 377.282 mendigos, pedintes de toda ordem, que muitas vezes não é pra comprar comida. Mas ao mesmo tempo eu penso, legal, eu to aqui, deitado na minha cama, com um belo travesseiro e uma colcha do grêmio, digitando num notebook (uia, até parece que tem posses!!). Como essas pessoas deveriam agir? Com, como diz a Paula whatever!! O fato é que como disse, minha paciência tá curta e o medo ta crescendo. Temos que cuidar, pra não deixar ele tomar conta, pois em nome dele, muita coisa ruim já fio feita!!
(Uhuuu!! Fazia tempo que não fazia comentário bíblia!! E legal que eu vou digitando, não tenho paciência pra revisar e tampouco cuido pra não ficar confuso, portanto peço perdão a quem não entender nada, mas a vida é dura!)

Deni! disse...

Como diria um amigo meu, essas coisas fazem a gente se sentir rico. E rico de outras coisas mais preciosas do que dinheiro... Tenho certeza de que a Julia passou o resto do domingo de coração leve.