terça-feira, 7 de abril de 2009

Servindo o público

Atendi aquele senhor com toda a disponibilidade e simpatia que penso que deveriam ter todos os servidores públicos. Mas costumo ser disponível de mais. Além da conta! Considero um defeito. Ouço problemas pessoais, tomo cantadas e também xingamentos - para os quais não costumo dar muita importância -, atendo pessoas explosivas e também as carentes, daquelas que só querem um ouvido para derramar suas tragédias cotidianas. E eu ouço.

Então: Ao atender esse senhor, que devia ter entre 50 e 60 anos e que se achava o galã da novela das oito, informei o que ele me pediu. Em vez de ir embora, ele engrenou numa conversa, contando das mazelas, virtudes e feitos da sua época juvenil. E eu pensando que ele deveria considerar me liberar, pois a minha função ali não é de terapeuta. Mas enfim. Ouvi até o final.

Então, num golpe certeiro, antes de sair, o senhor me pegou de surpresa, pela cabeça, com as duas mãos, e tascou-me um beijo estalado na testa, me agradecendo muito e me chamando de gatinha. Sim. E fez isso de safado mesmo. E eu fiquei com aquela cara que se fica quando se é pego de surpresa por uma, desculpem a redundância, surpresa desagradável. Não tive nenhuma reação, a não ser ficar ali, em pé, segurando os mapas do plano diretor, pensando no quanto as pessoas podem ser abusadas e no quanto eu não estou preparada pra isso. Se tivesse uma jaca na minha frente naquela hora, eu dava uma bica, só de raiva. Mas teria que ser uma jaca. Quem sabe o meu pé não ficava preso nela, de lambuja.

Entrei na minha sala falando pra chefe que eu tinha acabado te tomar um beijo na testa e que queria um treinamento pra ficar durona.

Passado o susto da surpresa, imaginei várias atitudes que eu poderia ter tomando naquela hora como, por exemplo, ao notar a aproximação daquelas mãozinhas imobilizadoras de cabeça e daquela boquinha beijoqueira, eu prontamente colocaria a minha mão a empurrar o peito do veio para longe e diria, imponente: O SENHOR NÃO FAÇA ISSO, PARA O SEU PRÓPRIO BEM.

Ou algo do tipo: por favor, não faça isso, eu sou alérgica!

Ou: NÃO!!! Não me toque!! Os aliens estão vindo para me resgatar e eu não devo ser tocada! AAAHH!!!

Ou eu poderia simplesmente ter me abaixado, me livrando daquelas mãos antes que elas segurassem a minha cabeça e, em seguida, desenvolveria uma seqüência de golpes que culminariam num mata-leão. Iáá!

E amanhã tem mais.


6 comentários:

Carol disse...

putz, hein?

Julia disse...

hahahhaa meeeeuuuu Deeeeeuuuussss!!! Coitadaaaa! me deu até saudades de trabalhar lá, só pra presenciar essas histórias! =)

Julia disse...

É beijo de véio*, encoxada de estagiário adolescente, cachaça derramada sobre processos... QUE MARAVILHA! Muitas histórias pro blog!

(*) é que nem "ideia"? caiu o acento? ai, me confundo toda!

Ju disse...

me deu saudade tb! mal saí e já tem mais histórias doidas naquele lugar!
o ser alérgica foi o melhor! hahahaha

maria paula letti disse...

oi querida!!! se a cris ligar de buenos, avisa que ela tá de folga no fim de semana!!! mandei a escala pra ela pro gmail. ah, ADORO TEU BLOG!!! beijos

Deni! disse...

Aaaaahhhhh, eu entendo ele!!
É que tu tem essa carinha meiga que dá vontade de tascar uma beijoca mesmo!!!! haahhahahahah