domingo, 23 de novembro de 2008

Todo carnaval tem seu fim - parte 1

De vítima à algoz.




Eu tinha 22 anos. 22 anos e um namorado perfeito, lindo, loiro, alto, inteligente e tudo de bom. O melhor namorado que já tive até hoje, diga-se de passagem. Perfeito. Nunca brigávamos. Tudo o que fazíamos juntos era maravilhoso. TUDO mesmo. Um dia, quase dois anos depois, o namorado perfeito resolve que é hora de conhecer o mundo: vai passar um ano na Europa. Eu fico arrasada. Choro, não consigo falar sobre o assunto, nem ajudar nos preparativos para a aventura. Simplesmente não consigo entender como ele pôde me deixar aqui. Fico magoada por não ter sido incluída nos planos, por não receber um convite para participar de tudo, por ter sido deixada para trás. Estranhei muito as primeiras semanas da viagem. Sentia falta da presença, do cheiro, da voz... de tudo. Ficava em casa parecendo uma barata tonta, de um lado para o outro, sem saber o que fazer. Chorava muito, escrevia milhões de e-mails por dia. Não via maneira de superar. Percebi que estava ficando deprimida. Continuamos o namoro à distância, mas não era a mesma coisa. Longe dos olhos, longe do coração, já diz aquele velho clichê. O tempo passava e eu percebia que podia, sim, viver sozinha. E que isso era muito bom. Aos poucos, o relacionamento foi perdendo força, apesar de o amor ainda estar lá - como ainda está, de uma maneira diferente, até hoje. Resolvi que era hora de terminar o namoro, afinal, esta coisa de ficar longe não funcionava para mim. Precisava beijar, abraçar, tocar... precisava da presença física, precisava me sentir protegida, amada, desejada. Sabia que estava magoando, mas sabia que isso era o melhor para mim naquele momento, em que me sentia ferida. Com uma pitada de vingança, admito, por ter sido deixada para trás.


Ele me dizia que sofria muito com a distância. Meu coração acreditava. Mas, àquela altura, o meu lado-negro-da-força me dizia: mas ele não pensou nisso quando foi sem você, pensou?


Ele voltou e tentamos fazer dar certo. Ele tentou mais do que eu, porque a mágoa que eu ainda tinha em mim não me deixou continuar. O namoro acabou de novo e levou com ele os planos de casamento, filhos, escritório em conjunto e vida juntos... o lindo casal de arquitetos que nunca mais vai existir.

Se fosse hoje faria tudo diferente, porque não deixaria nenhuma mágoa me atrapalhar. Mas o tempo não volta. Só sei que hoje eu sou uma pessoa melhor e, apesar de ter sofrido no meio, no fim a algoz fui eu... ainda assim, todo final é triste, todo o fim deixa marcas. Independente de quem coloca o ponto final.

7 comentários:

Julia disse...

*texto dedicado à amiga da Paula, que pediu um ponto de vista sobre os fins... na verdade, falei mais do começo e do meio, mas o que vale é a intenção!!! =D

Ju disse...

amada, eu fiquei aqui parada pensando no que dizer e concluí que não sei o que dizer!! essas coisas são sempre difíceis e às vezes ficam mágoas e traumas, infelizmente...mas é isso ai, fazer o q né?!

Julia disse...

pelo jeito ninguém sabe o que dizer!!! ninguém comenta!!! buááááá!!!

Rafa disse...

Mas é que tu ir junto seria tipo um casamento né?

E tu iria junto? Hmm... mas é uma decisão difícil mesmo.

Não dá pra saber se ele idealizava o amor e achava que tua ia esperar por ele ou se ele achava que a viagem era uma prioridade e tava disposto a arriscar...

Entendo que tu fez bem, eu acho que não trocava nenhum amor por uma viagem tão longa. Eu não ia aproveitar muito se realmente amasse ela. Mas isso é só eu.

E no fim tu confirma minha tese de que tu é uma bad girl, vingadora... hehe

Paula disse...

Por piores que possam parecer, são as experiências dolorosas que mais nos ensinam.
Falo por mim, mas acredito que seja assim pra todo mundo.


bibibibobobó

necessito regressar ao tc...
mas vou comentar muito a partir de quarta! RÁ!!!!

Anitz disse...

é, finais de relacionamentos são tristes

"bibibóbó"

buáaa

Newton Jacuniak disse...

acho que consegui resumir o que senti lendo esse post em uma palavra:

bah...

e tenho certeza que já foi mais do que eu deveria ter dito a respeito!

e é dificil comentar, por que não tem muito o que comentar, c'est la vie.